~2018 / intuos draw

 

lá por abril comprei um intuos draw da wacom, que é um tablet para desenho e pintura digital. já tinha testado o bamboo da wacom que minha irmã tem (mas não me deixou roubar), e o intuos é bem parecido. estes foram meus primeiros desenhos, feitos no adobe photoshop.

ainda é um pouco difícil controlar a caneta dele com a mesma naturalidade com que conseguimos controlar uma caneta ou um lápis comum (às vezes parece que estou tentando desenhar com a mão esquerda). depois de fazer alguns desenhos com traços, comecei a tentar a entender melhor como fazer sombreamento e técnicas de pintura digital.

é difícil, leva tempo, as costas doem. mas é incrivelmente legal.

  

  

 

Continue Reading

onde foi que eu perdi minhas palavras

 

“leia mil livros e suas palavras vão fluir como um rio.” – virginia woolf

.

a lista de pendências andou com um item constante por muitos meses: uma autodescrição.

tarefa simples. impossível. [preciso de poucas palavras, mas quais são as palavras certas?]

eu tinha um blog na época da primeira faculdade – quase todo mundo da minha sala tinha. em uma época de florescer digital os ânimos não eram tão exaltados e havia tempo e espaço para ler o que o outro sentia, mesmo que isso significasse entrar em cada blog, um por um.

não sei o que acontecia mas eu tinha um monte de palavras. não necessariamente boas, mas um monte. e eu gostava delas, e gostava de escrever todas em letras minúsculas. elas faziam sentido pra mim.

talvez a cabeça não estivesse inundada de tantas informações. talvez eu ainda não achasse que palavras em excesso pudessem ser fúteis ou redundantes.

eu estudava uma coisa e queria outra, mas tinha lá uma certeza. então fui estudar a tal outra coisa, e perdi a segurança. perdi um monte de coisas. e nem percebi que estava perdendo as palavras também.

e eu fiquei irritada e eu questionei tudo em que acreditava e eu parei de tentar me descrever porque não sabia mais. ainda não sei.

tentei correr atrás de títulos que no fundo não descrevem muita coisa.

minhas palavras não fluem mais como um rio, não importa quantos livros eu leia.

também não percebi que, enquanto as palavras e um monte de outras coisas iam embora, tantas outras apareciam: inseguranças absurdas, medos imensos, ansiedade nas alturas e a cruel consciência de cada defeito que o espelho apresentava. cada defeito que eu achava que o mundo estava esfregando na minha cara.

hoje tentei colocar tudo isso no papel. e só hoje entendi tudo isso, como uma epifania de macabéa:

que minha falta de autodescrição era minha falta de autoestima mandando o aviso

– que eu perdi minhas palavras enquanto perdia minha imagem.

recuperá-las não é só uma questão de carreira. é um resgate pessoal.

 

Continue Reading